SÃO DOMINGOS: bloco operatório não funciona há três meses
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Por: Tidjane Cande

Junho 3, 2022

Junho 3, 2022

O diretor clinico do Hospital Bacar Mané de São Domingos, Inghala Nauaie, revelou que o bloco operatório daquele centro de Saúde do Tipo A não funciona há mais de três meses, devido a avaria da autoclave [aparelho de esterilização de instrumentos] e do aparelho de oxigênio do bloco. Em entrevista a O Democrata, Inghala Nauaie explicou que não conseguem fazer cirurgia e que os doentes em estado grave são evacuados para Ziguinchor e/ou Bissau, salientando que os doentes, sobretudo grávidas acabam por correr riscos de durante a evacuação.

O médico informou que, recentemente, uma grávida morreu, quando estava a ser evacuada para Ziguinchor.

“Não quero com isso dizer que, se tivéssemos o bloco operatório a funcionar em São Domingos ela não morreria. Certamente o risco seria menor. As nossas estradas não estão em condições. Às vezes, recebemos doentes em estado grave e evacuá-los pode complicar ainda mais o estado de saúde deles. Evacuamos uma grávida, quando chegou ao hospital de Ziguinchor, infelizmente, acabou por morrer” insistiu, para de seguida revelar que fizeram várias diligências junto do Ministério da Saúde Pública e das organizações não governamentais que atuam no sector de São Domingos para a reparação dos aparelhos em causa, mas não obtiveram resposta satisfatória.

Inghala Nauaie disse ainda que não conseguem atender casos que requerem intervenção cirúrgica no hospital por o bloco operatório não estar a funcionar. Revelou que não há sobressalentes das peças dos dois equipamentos a venda, na Guiné-Bissau, a autoclave e o aparelho de oxigênio de bloco, apelando ao ministério da Saúde Pública para envidar os esforços para minimizar o sofrimento da população daquela zona norte do país.

O médico informou também que o hospital Bacar Mané conta atualmente com uma ambulância, o que tem permitido que os técnicos se desloquem, quando solicitados, às diferentes secções e tabancas do setor para evacuação de doentes em estado grave.

Por outro lado, Inghala Nauaie defendeu o funcionamento do serviço de raio X para ajudar os médicos nos diagnósticos rápidos para que estes possam tomar a conduta certa.

“O nosso hospital é um centro de Saúde de tipo A. É um centro de referência, daí que é urgente um serviço funcional de raio X para ajudar os médicos no diagnóstico urgente para que possam tomar a conduta certa no tratamento de doentes” disse.

O Hospital Bacar Mané conta atualmente com cerca de duas dezenas de técnicos entre enfermeiros e parteiras, três médicos e um cirurgião. Mesmo assim, Inghala Nauaie defende a colocação de novos médicos, porque não conseguem cobrir os serviços na totalidade.

“Temos técnicos de saúde suficientes. Mas temos poucos médicos. Três médicos clínicos gerais e um cirurgião não conseguem cobrir os serviços na sua totalidade, porque para além de centro de Saúde Bacar Mané, temos também Centro Materno infantil. São esses médicos que cobrem o centro materno infantil. Por isso, é preciso reforçar o número de médicos” afirmou.

Sobre as doenças mais frequentes, Inghala Nauaie revelou que têm registado infecções respiratórias agudas, devido ao clima e à poeira, sublinhando que a maioria da população daquela zona não tem o hábito de ir ao centro de saúde, quando está doente, e que prefere ainda ir aos curandeiros e só depois de estar em estado crítico é que procura o hospital.

//RTB-DEMOCRATA

@Tidjane Cande

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