Reportagem: Surra na 《barraca de fanado》 “ uma violência simbólica” aceite na comunidade.
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Por: Mamasamba Balde

Novembro 7, 2022

Novembro 7, 2022

Pouco menos de dois meses, “os  supostos cúmplices “ pela morte de adolescente na barraca de fanado em Buba, estão em liberdades. As organizações sociais falam da “ impunidade “, “ violência simbólica” e exigem a justiça. 

A reportagem, destaca a situação de Buba, onde adolescente de 17 anos foi morto na 《barraca de fanado 》 com “cicatrizes” no corpo.

Adolescente morte em Buba

Um adolescente de 17 anos de idade morreu na barraca de circuncisão [ fanado] na segunda-feira (26.09) em Buba.

“ O paciente deu entrada ontem, por volta de meia noite, a criança já tinha falecido. Depois de exames constatei feridas na parte da perna e nas costas. Tudo indica que, talvez na barraca, teria ocorrido algumas agressões “. Revelou a Rádio TV Bantaba Nauin Batista Barrai, médico colocado no Centro de Saúde de Buba, quem disse que a criança teve “lesões” e que parece ser morta pela “agressão”.


Batista Barai disse ainda que “outra criança deu entrada no Centro de Saúde de Buba proveniente da mesma barraca, também com sinais de ferimentos”. Segundo o médico, a segunda criança já se encontra fora do perigo.

Governador da Região de Quinara Mamadu Sanhá disse “ser vergonhoso” a morte da criança em nome da tradição. E garante que “a situação está sob investigação das autoridades competentes”.

Mamadu Sanhá admitiu “tomar medidas severas para acabar com práticas que atentam os direitos humanos”.

Yero Serra é pai da vítima, “pede a justiça pela morte do filho” que já teria impedido entrar nos rituais tradicionais.

Os familiares da vítima “tentaram invadir o local onde cerca de cem crianças se encontravam nos rituais de circuncisão masculino, sena impedida pelas forças de ordem”, constatou o repórter da Rádio TV Bantaba.


Na altura, houve muitas reações das Organizações sociais, que motivaram as detenções dos supostos cúmplices pela morte de adolescente.

Alimato Sanhá da organização não governamental, Humanismo, Cidadania, Voluntariado e Liderança “repudiou o ato” que considera “ uma violência simbólica” aceite na comunidade, mas que “tem vindo a causar danos à saúde e a vida da criança”.

“ Nós de HCVL, condenamos as circunstâncias de morte de adolescente, supostamente vítima de qualquer agressão. Na verdade, a cultura tem algo importante para um povo, mas deve haver condições para barracas de fanados e muitas coisas precisam ser regulamentadas”. Exigiu a ativista dia depois do acontecimento.

A jovem ativista exigiu a justiça e o fim de constantes violações dos Diretos Humanos na região de Quinara.


“ Não podemos concordar com todas essas violações dos Diretos Humanos na nossa região. É necessária a intervenção autoridade de estado, e que os responsáveis de todas essas criminalidades sejam julgados e condenados”. Advertiu Sanhá.

Os supostos cúmplices estão em liberdade, “tendo sido aplicados duas medida de coação, Termo de Identidade e

“ Eu faço barraca, ali se transmite a geração nova, os valores culturais, da Justiça, da União e respeito pelas diferenças. É surpreendente ver tudo isso, crianças cicatrizadas, aquilo não faz parte da cultura que conheço e que eu prático. A cultura não é sinónima da Violência”, explicou.

exclamou.

O fanado masculino, também acontece no início das aulas, muitas crianças até a altura, não são inscritos nos boletins de matrículas.

“ As aulas teriam iniciado nos meados de setembro. Muitas crianças até a altura não foram matriculados pelos pais que gastam mais nas compras de ferramentas de rituais, mas que não tinham dinheiro para inscrever o filho na escola. Isso constitui «violação gritante dos direitos humanos》. Por isso, muitas práticas tradicionais devem ser regulamentadas”, replicou Rosário Cabi, Coordenador da Rede de Jovens adolescentes e crianças, que lamentou ainda “ as péssimas condições higiênicas” na barraca de fanado.

exclamou.
Barraca de fanadu

Na Guiné-Bissau quase todos os grupos étnicos têm seus rituais e os praticam em diferentes momentos. O fanado de circuncisão masculino acolhe noutros casos, mais de cem crianças, adolescentes e jovens nas etnias fula, mandinga e beafada.

No caso de Buba, o responsável pertence a etnia beafada, “mas nessa barraca haviam crianças e adolescentes balantas, fulas, mandingas, manjacos, mansoncas e muito mais” informou um elemento da referida barraca.

“ Aqui não temos só beafadas, quase todas as etnias de Buba estão cá representados. Temos crianças fulas, mandingas, manjacos, mansoncas e muito mais “, disse.

Na Guiné-Bissau quase todos os grupos étnicos têm seus rituais e os praticam em diferentes momentos. O fanado de circuncisão masculino acolhe noutros casos, mais de cem crianças, adolescentes e jovens nas etnias fula, mandinga e beafada.

No caso de Buba, o responsável pertence a etnia beafada, “mas nessa barraca haviam crianças e adolescentes balantas, fulas, mandingas, manjacos, mansoncas e muito mais” informou um elemento da referida barraca.

“ Aqui não temos só beafadas, quase todas as etnias de Buba estão cá representados. Temos crianças fulas, mandingas, manjacos, mansoncas e muito mais “,

disse.

Alberto Bidam pai de Sergio Aberto Bidam de 17 anos [ balanta] fala na duplicidade e incompatibilidade das culturas entre as etnias.

“ Eu ainda não fui ap fanado.  Porque na minha etnia se faz na fase adulta. O meu filho teria fugido e sem meu consentimento, depois nós  [os balantas] não fazemos cerimónias  opostas à nossa. Não tive coml tirar meu filho dali, porque também, salvaguardei os valores da convivência. Só que no futuro, não sei o que poderá  acontecer com meu filho, caso venha a cumprir nossa cultura”, narrou.

RTB/ Mamandin Indjai

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