Ministro guineense defende introdução do crioulo e línguas nacionais no ensino
© Radio TV BantabaAll Rights Reserved

Por: Redação

Março 29, 2023

Março 29, 2023

Lusa

O ministro da Função Pública da Guiné-Bissau, Cirilo Djaló, defende a introdução do crioulo e das línguas nacionais no ensino e considera que o português “não é sentido como um meio de comunicação indispensável” por uma larga maioria da população.

O ministro falava, em representação da titular da pasta da Educação, na abertura de um seminário de apresentação de um estudo de viabilidade sobre a introdução das línguas nacionais e do crioulo no sistema educativo guineense.

O seminário é coorganizado entre o Governo guineense e a delegação da UNESCO no país.

Enquanto ex-ministro da Educação, Cirilo Djaló exortou as entidades envolvidas no setor do ensino a acelerarem os esforços no sentido de criar normas linguísticas para o crioulo e línguas nacionais que, afirmou, devem ser introduzidas no sistema escolar.

“Nenhum país conseguiu desenvolver-se com base num sistema educativo em que o ensino é exclusivamente ministrado numa língua que a maioria da população ignora, pois o desenvolvimento sustentável é possível apenas quando acompanhado por um sistema educativo em que as comunidades beneficiárias se apropriam deste”, observou Djaló.

O ministro da Função Pública guineense assinalou que toda a África enfrenta atualmente como um dos principais desafios a problemática do uso das línguas nacionais no sistema de ensino, nomeadamente ao nível da modalidade de utilização das mesmas, referiu.

Na Guiné-Bissau, sublinhou Cirilo Djaló, não existe uma política para as línguas nacionais, estatuto apenas reservado ao português, língua oficial.

“No plano jurídico, apenas o português, língua oficial, possui um estatuto definido, sendo ao mesmo tempo língua do ensino, em todos os níveis escolares, língua de administração e da justiça, língua da imprensa escrita e principal língua do audiovisual. Contudo, no plano sociológico, apesar do grande prestígio que lhe é conferido pela lei, o português repousa sobre bases sociais muito estreitas”, destacou o governante guineense.

Cirilo Djaló salientou ainda que, no processo de aquisição de conhecimentos para os alunos, enquanto as línguas nacionais não têm estatuto definido e com o alfabeto proposto ainda por aprovar, o português acaba por ser utilizado apenas nas salas de aulas.

“Esta função comunicativa é amplamente preenchida pelo crioulo e pelas outras línguas nacionais que, paradoxalmente, não beneficiam de estatuto oficial e cujo alfabeto proposto não foi reconhecido oficialmente até agora”, sublinhou Cirilo Djaló.

RTB/Lusa

Artigos relacionados

Armando Lona detido pela polícia.


Armando Lona detido pela polícia.

O  Coordenador da Frente Popular, Armando Lona, está detido pelas forças de ordem, na sequência da manifestação pacífica deste sábado, 18, em Bissau. Também, para além da Presidente da Associação Juvenil para Promoção e Defesa dos direitos humanos, a CFM soube da...

Gibril Bodjam detido em Gabú

Gibril Bodjam detido em Gabú

Ativista Social Gibril Bodjam detido esta manhã pela Policia de Ordem Pública de Gabú durante conferência de  imprensa na sequência da marcha convocada pela Frente Popupalar em todo o país. A polícia impediu a continuidade da conferência de imprensa da Frente Popular...

0Comentarios

0 Comments

Envie um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

WP Radio
WP Radio
OFFLINE LIVE