DSP considera que Portugal deve ser mais criterioso na abordagem de certas questões

DSP considera que Portugal deve ser mais criterioso na abordagem de certas questões

O presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, disse na terça-feira, que Portugal deve ser mais criterioso na forma como aborda determinadas questões.

Simões Pereira que falava no final de um encontro com o líder português, na residência do embaixador de Portugal, disse que nunca esteve em guerra com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

O líder dos libertadores afirmou tratar-se de um encontro de cortesia e que serviu para explicar melhor a posição do partido sobre a visita oficial que o professor fez à capital.

O Presidente português iniciou segunda-feira uma visita oficial a Bissau, que termina hoje, e que foi criticada pelo PAIGC.

Para Domingos, a visita de qualquer estadista português é sempre um momento muito especial para o povo guineense, contudo há a necessidade de se ter atenção para não emprestar oportunidades de branqueamento, que não devem ser aceites.

O líder do partido vencedordas legislativas de 2019, agora na oposição, a Guiné-Bissau tem atualmente um regime autoritário, um Presidente da República autoproclamado, e que se baseia em algo que ele próprio intitulou de simbólico para a partir daí tomar um conjunto de decisões que vão contra a Constituição da Guiné-Bissau.

Este responsável destacou ainda que muitas visitas podem ser mais uma visita, mas a visita de um dignitário de Portugal pode e deve significar bastante mais, porque tem uma responsabilidade histórica, que segundo ele, é à volta dessa responsabilidade histórica que tem de se posicionar, senão fica desfasado e complicada.

É importante para presidente do PAIGC, que o chefe de Estado português perceber quais são os desafios que o povo guineense enfrenta e como é que Portugal deve equacionar essa parceria, que de facto deve existir.

O político guineense justificou a ausência dos deputados do seu partido no parlamento, no encontro com o Presidente de Portugal porque disse que o regime democrático não se faz sem o respeito da lei.

Pereira sublinhou por outro lado, que Portugal tem obrigação de saber que o atual chefe de Estado guineense não tomou posse numa assembleia legalmente constituída e que o Governo no poder resulta de uma iniciativa presidencial, o que considerou uma aberração num sistema de governo semipresidencialista.

O deputado rematou por último, esperar que Rebelo de Sousa tenha alguma resposta quantos aos cidadãos políticos, deputados da nação, jornalistas, cidadãos anónimos, agredidos durante esta vigência do mandato.

O professor esteve de vista oficial à Guiné-Bissau durante dois dias, onde, entre outros pontos do programa, reuniu-se com o seu homólogo guineense, com o chefe do executivo, presidente do parlamento e alguns líderes dos partidos políticos como Braima Camará do Madem-G15, Alberto Nambeia do PRS e Domingos Simões Pereira do PAIGC.

De referir que o PAIGC venceu as eleições legislativas de 2019, mas após ter tomado posse como Presidente, Umaro Sissoco Embaló demitiu o Governo liderado por Aristides Gomes e formou um composto pelo Madem-G15, PRS, APU-PDGB e outros movimentos, que o apoiaram na segunda volta das presidenciais.

VJ

Redação

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