Projeto “Fumu Kaba” defende que cozinhar a gás é mais saudável que a carvão

A União da Cidades Capitais de Língua Portuguesa defendeu hoje, 22.09.20, que o projeto “Fumu Kaba” na Guiné-Bissau mostrou que cozinhar a gás é “mais saudável” que o carvão.

Luís Machado, da coordenação da UCCLA, que falava durante a cerimónia de encerramento do projeto em Bissau, afirmou que o balanço é muito positivo e revelou que cozinhar a gás é uma alternativa real, confirmando que vale a pena enveredar por este caminho.

O “Fumu Kaba”, orçado em um milhão de euros, foi financiado em 90 por cento pela União Europeia e em 10 por cento pela Galp e visa incentivar os guineenses a deixar de utilizar o carvão para cozinhar os alimentos, passando a usar gás.

Para Luís Machado é preciso haver uma política energética clara em defesa do gás e ao mesmo tempo em defesa do próprio ambiente da Guiné-Bissau, das florestas do país, acrescentando que só assim será possível ajudar a baixar o preço do gás.

De recordar que, um saco 50 de quilogramas de carvão custa 3.500 francos cfa (cerca de 5,30 euros) e garrafa de gás de seis quilogramas 6.250 francos cfa (cerca de 9,52 euros).

Este responsável, sublinhou que se não houver gás que seja a um preço semelhante ao do carvão não haverá essa possibilidade.

Por outro lado, lembrou que o grande problema é que as famílias com rendimentos mais baixos não têm possibilidade de adquirir uma botija, que ronda os 6.000 francos, porque isso representa um décimo do rendimento mensal que têm.

O projeto, que foi premiado com um Energy Globe Award, foi lançado em 2018 e inclui a distribuição às famílias guineenses de um kit de gás butano, que muitos não têm condições financeiras para adquirir, para os ajudar a enfrentar a transição energética através da confeção de alimentos com uma energia limpa.

O kit é composto por um fogão, um queimador e uma botija de gás de seis quilogramas.

Os dinamizadores do projeto acreditam que esta medida levará a uma redução de 530 mil toneladas de emissões de dióxido do carbono (Co2) e ainda evitará a desflorestação, equivalente de uma área de 100 mil hectares.

Também esperam que com a introdução do gás butano na cozinha, as mulheres passem a ter mais tempo para outras atividades e a trabalhar com uma tecnologia segura, o que terá um impacto positivo na sua saúde.

O projeto beneficiou cerca de 160.000 famílias de Bissau.

VJ

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