O poeta, escritor e jornalista guineense Mussá Baldé vai apresentar sexta-feira em Bissau a obra “Kriol Tem Li”, uma coletânea de poemas em crioulo em formato áudio.

“Fiz muitos poemas, nos últimos 20 anos. Poemas que fui lançando de forma avulsa, agora, decidi agrupá-los numa obra única”, afirmou à Lusa Mussá Baldé.

Segundo o jornalista, a obra “visa essencialmente homenagear o crioulo, como elemento aglutinador, elemento fundamental na construção da unidade nacional” na Guiné-Bissau.

“Em crioulo nos entendemos. Como se sabe a Guiné-Bissau é composta por mais de 30 grupos étnicos, cada um com as suas idiossincrasias próprias, cultura própria, língua. Portanto, só no crioulo é que encontramos o ponto de confluência e logo forjamos aquele sentimento nacional”, salientou.

Jornalista da Lusa há cerca de 20 anos, Mussá Balde, que é um defensor de “bom português”, da língua que, sublinha, lhe dá “ciência” e o faz “interagir melhor com o mundo”, é um também um confesso apaixonado pelo crioulo guineense.

Homenagem às mulheres

Mussá Baldé disse que a obra pretende também homenagear a “mulher guineense, dentro da sua essência, de vaidosa, mas igualmente de alguém que busca a sua emancipação, enaltecer a importância do mar e da floresta na preservação do modo de vida endógeno das nossas gentes e saudar a gesta dos combatentes pela liberdade da pátria”.
“Como todos os guineenses, tenho muita gente da minha família que andou naquelas lides, também procurei tocar nalguns pontos que possam acordar os responsáveis políticos sobre a forma como lidam com o povo, lembrar-lhes que o povo está de olho e há de chegar um dia em que o povo poderá não aceitar mais que seja enganado”, salientou.

Questionado pela Lusa sobre as razões pelas quais decidiu lançar a coletânea em áudio, Mussá Baldé explicou que Guiné-Bissau o crioulo ainda não está normalizado.

“Daí que, após vários pedidos, diria mesmo reptos dos meus seguidores, decidi avançar para uma coletânea de alguns poemas meus, de alguns amigos, para esta obra em formato áudio, também porque, modéstia à parte, o pessoal gosta da forma como declamo os poemas em crioulo”, disse.

Militares portugueses

O jornalista está também a preparar um livro, que poderá lançar ainda este ano, sobre a presença da tropa colonial portuguesa na Guiné-Bissau, que conta algumas peripécias, mas também o “lado místico do relacionamento entre os militares portugueses e a população autóctone guineense”.
Paralelamente, Mussá Baldé não abandona a sua paixão, que é o cinema, estando a concluir mais um guião de um filme.

Engavetado e a aguardar produção está um guião baseado no livro “A Última Tragédia”, do escritor guineense Adulai Silá, um trabalho que desenvolveu com “amigos brasileiros” e José Lopes, que venceu um prémio de produções audiovisuais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Infelizmente, por razões alheias à minha vontade, não se concretizou, diria que por enquanto”, disse o jornalista, que entre 2010/2011 fez o filme “Clara di Sabura”.

A coletânea de poemas vai ser lançada sexta-feira na Direção-Geral da Cultura em Bissau e é apresentada pelo sociólogo guineense Miguel de Barros.

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