O sexo, a vergonha e a SIDA. No Malawi, a arte é uma arma de combate ao vírus e ao machismo

Publicado por RTB

maio 18, 2019

18 de maio, 2019

No Malawi, a taxa de HIV é uma das maiores do mundo e uma em cada cinco adolescentes tem filhos antes dos 17 anos. Sharon Kalima quer travar este destino com o projeto Make Art/Stop AIDS.

Um desfile de moda de vestidos feitos com preservativos, um poema sobre uma sociedade que desrespeita as mulheres, uma peça de teatro sobre o assédio sexual. Estes são alguns dos projetos que nasceram das cabeças e das mãos de jovens do Malawi, que foram estimulados a usar a arte para falar sobre saúde sexual e reprodutiva e igualdade de género.
Num país em que ter filhos antes dos 18 anos é comum e usar contracetivos é raro, o projeto Make Art/Stop AIDS (MASA) é visto como disruptivo e inovador. Foi o seu impacto que lhe deu o prémio Criativo nos UN SDG Action Awards, um evento da ONU que premeia os melhores projetos pelo mundo todo na área dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A líder do MASA chama-se Sharon Kalima e ela própria enfrentou olhares e preconceitos, ao dizer alto que queria fazer um projeto sobre sexo, consentimento, assédio. Não é comum uma rapariga de 19 anos crescida naquele contexto sair-se com este tipo de ideias. “Foi muito difícil. Eu venho de uma localidade conservadora, de um país conservador, em que não se fala abertamente sobre sexo”, admite em entrevista à RTP.

A ideia e a vontade nasceram depois de completar um projeto na faculdade. O tema era a SIDA e a missão dela e da turma era escolher um local onde se iriam deslocar para falar sobre as causas e as consequências do vírus. A maioria dos alunos escolheu ir para os hospitais, mas Sharon e as colegas do grupo escolheram uma prisão: “As prisões estão sempre de parte. Conhecemos várias prisioneiras que nem sabiam que os preservativos existiam porque já estão na prisão há muito tempo e, quando se começou a falar cá fora, elas já estavam ali detidas”.

Foi esse contacto com a realidade que a fez pensar: “Fiquei com a vontade de mudar as noções da nossa juventude”.

A líder do MASA chama-se Sharon Kalima e ela própria enfrentou olhares e preconceitos, ao dizer alto que queria fazer um projeto sobre sexo, consentimento, assédio. Não é comum uma rapariga de 19 anos crescida naquele contexto sair-se com este tipo de ideias. “Foi muito difícil. Eu venho de uma localidade conservadora, de um país conservador, em que não se fala abertamente sobre sexo”, admite em entrevista à RTP.

A ideia e a vontade nasceram depois de completar um projeto na faculdade. O tema era a SIDA e a missão dela e da turma era escolher um local onde se iriam deslocar para falar sobre as causas e as consequências do vírus. A maioria dos alunos escolheu ir para os hospitais, mas Sharon e as colegas do grupo escolheram uma prisão: “As prisões estão sempre de parte. Conhecemos várias prisioneiras que nem sabiam que os preservativos existiam porque já estão na prisão há muito tempo e, quando se começou a falar cá fora, elas já estavam ali detidas”.

Foi esse contacto com a realidade que a fez pensar: “Fiquei com a vontade de mudar as noções da nossa juventude”.

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